In illo tempore

Já lá vão… 40 anos! Mas são tantas e boas as recordações da Festa das Famílias do Colégio desse tempo que as revivo ao evocá-las.
Julgo que era Reitor o Pde Evaristo de Vasconcelos (que saudades dos jantares de confraternização dos Pais no refeitório dos filhos, antecedidos de Missa e seguidos d uma conferência e debate!). A Festa era sempre em Maio no terreno ao pé da “Casa Velha” onde se armavam as barracas. Conservo o programa da de 18 e 19 de Maio de 1963.
Nós, Mães, éramos convidados a uma reunião prévia, por carta, pelo Director da Festa, nesse ano o Pde Agostinho Pereira, e acorramos com entusiasmo a juntarmo-nos numa sala de aula, sentadas nas carteiras dos nossos filhos, a distribuir tarefas e barracas.
Uma semana antes já lá estávamos a participar na montagem com os empregados da carpintaria do Colégio e alguns Padres — uns só curiosos, outros ajudando. Íamos todos os dias, trabalhávamos mesmo, convivíamos e assim nos sentíamos também no nosso Colégio. As mais
imaginativas, as mais “artistas” faziam os cartazes, com desenhos e dizeres alusivos à ‘’sua” barraca. Na véspera, era a decoração e a arrumação dos balcões e dos pertences. “Das festas, as vésperas” …
Algum cansaço, muita expectativa mas, principalmente, uma grande entrega e uma óptima disposição.
Era A Festa de todos nós!
Dos Jesuítas desse tempo (e eram tantos!) recordo a presença amiga e estimulante na adesão dos Padres Queiroz, Manuel Simões, Leão, José Manuel Rocha e Melo, Raposo, Manuel Ferreira da Silva (e os seus carrinhos que «viajavam”, guiados pelos miúdos com alguns pais mais afoitos, por aquela quinta imensa), Oliveira, Marim, Pacheco, Ruela, José Carlos Vasconcelos, o Sr. Eduardo da Secretaria, tantos infelizmente já desaparecidos. E os Irmãos Cruz, Peixoto, Brito, Castro, Correia e o tão característico Irmão Diniz, por alcunha “O Cágado”.
Lamento se a minha memória esquece alguém e se omiti o “jovem” Pe Alberto, hoje Reitor, é porque o creio posterior ao Colégio dessa altura. Não esqueci o Pe Caria, nem esqueci que, avesso a festas e confusões, se recolhia e só nos dava o gosto da sua presença fugidia uma vez ou outra durante as preparações.
Das mães desse tempo, impossível referir todas, mas apenas as que já conhecia ou fiquei a conhecer pela estreita colaboração, sempre na “barraca do café”: Miloca Bella Morais, Carmo Serras Pereira, Lu Cordeiro Ferreira, Lila Fezas Vital Trocado, Helena Maria Fragoso, Carolina Nunes da Ponte, Anita Abreu Lima, Lena Cardoso de Lemos e tantas, tantas outras que deram o seu trabalho, a sua contribuição, sempre preciosos para que tudo corresse bem.
As barracas, ordenadas ao longo da periferia do jardim, vendiam café, petiscos, bebidas, bolos, rifas, bichos (que eram rifados), a da pesca, o Pim-pam-pum … E pais e filhos, não só do Colégio como amigos e amigos dos amigos — e as irmãs e amigas do “geminado” Colégio do Sagrado
Coração de Maria — enchiam o recinto da Festa com bulício, muita alegria e animação.
No Sábado havia a garraiada e, no Colégio, demonstrações de ginástica, gincana de bicicletas. À noite, nos jardins, a “Ceia das Famílias”, com fados e guitarradas e .. . mesas reservadas.
O Domingo começava com a Missa e Consagração das Famílias, e o programa desse ano de 63 anunciava, à tarde, gincana de motorizadas e de automóveis — onde entravam os pais, nos campos de futebol. Nesse mesmo ano, a Festa foi iniciada ”com o lançamento de um foguetão B4, na rampa Canaveral do Colégio”, foguetão esse saído também do grande “engenho e arte” do Pde Manel.
Quando acabava, eu, pelo menos, e de certo outras mães, já tínhamos saudades dessa semana inteirinha de boa colaboração e agradável convívio. Depois recebíamos uma carta de agradecimento do Director da Festa e… até para o ano!
Agradeço a quem me deu a oportunidade de recordar esse tempo e essas circunstâncias, o que fiz com tanta satisfação como o tê-los vivido.
Desejo longa vida à vossa Associação e todo o êxito à vossa publicação, como mãe e avó que sou de antigos alunos.

Maria Amália Botelho @ Loyola #3

Manter a Tradição

Na qualidade de membro e mais tarde Presidente da Associação de Alunos do Colégio, dediquei muitas horas do meu tempo na organização da Festa das Famílias. Tratando-se de um dos principais acontecimentos do calendário escolar, só comparável ao último dia de aulas, aquele fim de semana de Maio tornava-se para muitos alunos, professores e padres, um momento de empenho único.
Mantinha-se a tradição nas “barracas’’, dos comes e bebes, das exposições de trabalhos elaborados pelos alunos mais aplicados, das manhãs desportivas onde todos se esforçavam pelas medalhas e, claro, dos momentos religiosos. No entanto festa para os mais velhos começava na sexta à noite com o baile. Claro que para os
membros da Associação, a semana era preenchida com os preparativos. O som era importante… quem é que poderia emprestar um gira discos? O amplificador da rádio Vértice pode não ser suficiente! Vamos pedir uma colaboração (imagine-se) à Rádio
Renascença! — longe andava eu de pensar que pouco tempo depois iria para lá trabalhar — Depois as luzes… quilómetros de fios, dezenas de lâmpadas e muita oração para que o quadro eléctrico não fosse abaixo … o que sempre acontecia no meio da festa. Era um sucesso! As festas do São João de Brito eram reconhecidamente as melhores. E só acabavam quando a polícia, alertada com dezenas de chamadas telefónicas dos prédios da frente, invadia o recinto da primária.
Fazia-se duas centenas de contos de receita (o que era bastante no final dos anos oitenta) e garantia-se o financiamento das outras actividades da Associação. Recordo-me bem de urna noite, nas vésperas do baile, em que estava, juntamente com os ” craques ” , na montagem das luzes, quando, perto da meia noite, vimos os temíveis cães do Sr. Alves no recreio a assistir à nossa tarefa. Quem se recorda do edifício amarelo da primária, já desaparecido, tinha à volta a área de recreio dos alunos vedada por uma rede… uma espécie de fosso de castelo medieval. Era precisamente aqui que os pastores alemãs esticavam as patas durante a noite.
A situação estava criada e a resolução do problema não foi tarefa fácil… uns distraíam os cães, enquanto que os outros saltavam e corriam até zona segura.
Lembro-me também da última garraiada do Colégio. Foi no meu último ano comoPresidente que, com grande esforço, e muita ajuda externa, organizámos a festa brava no Campo Pequeno. Só o aluguer foram cento e cinquenta contos… fora as vacas! O cartel foi o mais fácil… todos quiseram e participaram.
Foram tempos de esforço, de
competição saudável em que os alunos ajudam e trabalhavam para toda a comunidade Colegial.
Sei que depois da minha saída do Colégio, tentou-se fazer bailes mais sofisticados em discotecas… abandonaram-se as garraiadas… tentou-se cada vez mais profissionalizar a Festa das Famílias… até se tentou mudar o nome.
No meu tempo, tínhamos orgulho em ser alunos do Colégio e de manter as tradições que os mais antigos tinham criado para, dessa forma, manter a identidade e tornarmo-nos parte de um grupo de alunos da Companhia de Jesus que não só partilha histórias mas os valores de um período incomparável das nossas vidas.

Joaquim Cannas @ Loyola #3

A Associação dos Antigos Alunos participa, desde a sua fundação, na Festa das Famílias com um espaço próprio de acolhimento e convívio entre os seus Associados.

A receita das vendas dos vários produtos revertem para as Missões da Companhia de Jesus.

Encontra na página oficial da Associação no facebook fotografias das últimas edições.